D. Fernando Glória - Núcleo de Radioamadores da Armada

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D. Fernando Glória

Fragata D. Fernando II e Glória


História

 
A Fragata "D. Fernando II e Glória", é a última fragata da Marinha Portuguesa, exclusivamente à vela. É Também a última Nau a fazer a chamada "carreira da Índia", foi a última fragata que os estaleiros do antigo Arsenal Real de Marinha de Damão construíram para a nossa Marinha.

Na sua construção seguiram-se os planos dos traçamentos efectuados no arsenal da marinha de Lisboa, pelas formas da muito admirada fragata "Duque de Bragança", inclusivamente copiadas pelos ingleses, pelos quais construíram várias fragatas. O casco foi construído com madeira de teca proveniente de Nagar-Aveli e após o lançamento à água, em 22 de Outubro de 1843, foi rebocado para Goa onde aparelhou em galera. A sua construção importou em 100.630 mil réis.
O navio embora construído pelos planos duma fragata de 50peças, foi de início preparado para receber 60 bocas de fogo, tendo em 1863/65 sido transformado para receber só 50; 22 no convés e 28 na bateria. A lotação do navio variava consoante a missão a desempenhar, indo do mínimo de 145 homens na viagem inaugural ao máximo de 379 numa viagem de representação.

A Fragata recebeu o nome de "D. Fernando II e Glória", não só em homenagem a D. Fernando Saxe Coburgo Gota, marido da Rainha D. Maria II, mas também por ter sido entregue à protecção de Nossa  Senhora da Glória, de especial devoção entre os goeses.

As características principais do navio são:
Comprimento máximo 83,40 m
Boca no convés 12,80 m
Pontal de construção 7,07 m
Imersão máxima 6,40
Altura ao centro vélico acima da flutuação 9,42 m
Superfície do velame  (em m2)  2052,21
Sup.  da secção mestra mergulhada  51,78 m2
Tonelagem (em Tons) 1849,16
Tem o fundo forrado a cobre.
A viagem inaugural, de Goa para Lisboa, teve lugar em 1845, com largada em 2 de Fevereiro e chegada ao Quando dos Navios de Guerra, no Tejo, em 4 de Julho. Desde então, foi utilizado em missões de vários tipos até Setembro de 1865, data em que substituiu a Nau Vasco da gama, como Escola de Artilharia, tendo ainda, em 1878, efectuado uma viagem de instrução de Guardas-Marinha aos Açores, que foi a sua última missão no mar.
Durante os 33 anos em que navegou, percorrendo cerca de 100 mil milhas, correspondentes a quase 5 voltas ao Mundo, a "D. Fernando", como era conhecida, provou ser um navio resistente e de grande utilidade, tendo efectuado numerosas viagens à Índia, a Moçambique e a Angola para levar àqueles antigos territórios portugueses unidades militares do Exército e da Marinha e, até, colonos e degredados, estes últimos normalmente acompanhados de familiares. Chegou até a transportar emigrados políticos espanhóis para Açores.
De entre as missões que lhe foram confiadas, destacam-se a participação como Navio-Chefe de uma força naval na ocupação de Ambriz, em Angola, que em 1855 se revoltara por instigação de Inglaterra, e ainda, a colaboração na colonização de Huíla em que, como navio de guerra, teve a insólita curiosa missão de serviço público.

Diversas personalidades da época navegaram na "D. Fernando, tais como a Imperatriz do Brasil, Duquesa de Bragança, segunda mulher de D. Pedro IV e a sua filha, Princesa Maria Amélia, enteada daquele e noiva do Imperador Maximiliano do México, que seguiram de Lisboa para o Funchal na infrutífera esperança de esta última recuperar a saúde, muito abalada; Augusto de Castilho, brilhante oficial de Marinha, alto funcionário ultramarino e diplomata, que tomara parte na ocupação de Ambriz e, que em 1861, seguiu na "D. Fernando" de Lisboa para Goa; e ainda diversos Governadores-gerais de Angola e Moçambique, que no navio seguiram para aqueles territórios a fim de assumirem os seus altos cargos. Também a bordo deste navio, foi julgado, em 1926, em conselho de guerra o coronel João de Almeida, herói dos Dembos, acusado de rebelião.

Se era comum as fragatas contemporâneas da "D. Fernando" efectuarem serviço de transporte, esta navegou muito mais como "charrua" (navio de transporte fracamente artilhado) do que propriamente como fragata, embora tivesse sido a certa altura a única a figurar na lista dos navios de guerra portugueses.

Em 1889 sofreu profundas alterações para melhor servir como Escola de Artilharia Naval, substituindo-se a antiga e airosa mastreação por três deselegantes mastros inteiriços, com vergas de sinais e construiu-se dois redutos a cada bordo para colocação de peças de artilharia modernas, para instrução.
Esta utilização cessou em 1938, data em que passou a servir de Navio-Chefe das Forças Navais do Continente, baseadas no Tejo.

Em 1940, depois de ter sido considerado que já não se encontrava em condições de ser utilizada pela Marinha, iniciou uma nova fase da sua vida, passando a servir como sede da "Obra Social da Fragata D. Fernando", criada para recolher rapazes oriundos de famílias de fracos recursos económicos, que ali recebiam instrução escolar e treino de marinharia, facilitando, assim, o s seu ingresso nas marinhas de guerra, do comércio e de pesca. Foi nesta função que, em 1963, um violento incêndio a destruiu em grande parte.

Este belo veleiro, que durante anos foi um verdadeiro ex-libris do Tejo e serviu de modelo a muitos pintores como o Rei D. Carlos, esteve no estuário deste rio encalhado e adornado sobre bombordo, durante 3 décadas, teimando em mostrar que o desgaste natural do tempo não se devia sobrepor ao esquecimento dos homens.

A "D Fernando", segundo o "International Register of Historic Ships" é uma das quatro fragatas à vela existentes e é o 8º navio de guerra mais antigo do mundo.

Em 03 de Julho de 1993 foram iniciados os trabalhos do restauro estrutural do navio, num estaleiro nacional de construção naval de madeira - a Ria-Marine, de Aveiro - trabalhos que foram dados por concluídos em 08 de Abril de 1997, dia em que o navio foi relançado à água. Já no Arsenal do Alfeite, até finais de Fevereiro de 1998, foi efectuado o aprestamento e apetrechamento museológico com referência à década de 1850.

Reconhecendo que a "D. Fernando" é uma inspiração de todos os que se esforçam na preservação e restauro do Património Marítimo Mundial, a "World Ship Trust" atribuiu-lhe o "Maritime Heritage Award" premiando a excelência do restauro e preservação levada a cabo neste navio histórico.

Em 28 de Abril de 1998 foi aumentado ao efectivo das Unidades Auxiliares de Marinha, com o objectivo de contribuir para o desenvolvimento de acções de divulgação e aprendizagem da História Marítima Portuguesa.
Localização actual: Doca nº 2 Parry & Son - Cacilhas, margem esquerda do rio Tejo em frente à Cidade de Lisboa.


A ESTAÇÃO
A estação CS5DFG é titulada pelo Núcleo de Radioamadores da Armada - NRA e foi instalada a bordo em 2008. Num primeiro momento, com o indicativo CS8DFG, apenas com o propósito de activar pela primeira vez o navio num evento comemorativo do 6º aniversário do NRA.
Dado o interesse que esta activação - que na ocasião cobriu as bandas dos 80 aos 6 metros - despoletou na comunidade radioamadorístca e por sugestão dos nossos congéneres alemães da MF Runde no sentido de integrar este histórico navio no roll dos navios museu, o NRA deu execução aos procedimentos necessários para o efeito.
Assim foi requerida autorização de instalação junto da Autoridade Naval competente, e pedido à ANACOM o indicativo de chamada permanente.
Desde então a estação tem sido activada inúmeras vezes, pondo no ar a divulgação daquela peça de história natural naval.
Das muitas activações que têm sido feitas, contam-se além da primeira acima referida, outras como por exemplo a participação no Concurso Dia da Marinha, International Naval Contest, Comemoração dos 100 da radiotelegrafia na Marinha, Annual Museum Ships Weekend Event, MF Weekend, além de aleatoriamente ser objecto curtos períodos de emissão.
Porque o navio nunca teve a bordo uma estação de rádio, não existe um local específico para a sua instalação, pelo que estação CS5DFG foi instalada a bordo num compartimento a vante EB. Por inerência de funções, seu responsável é o Presidente da Direcção do NRA.

PREVISÃO DE ACTIVAÇÕES
Prevê-se que a Estação da Fragata D. Fernando esteja operativa durante os seguintes eventos:
"   MF Weekend
"   Concurso "Dia da Marinha"
"   Annual Museum Ships Weekend Event
"   Lighthouse Lightship Weekend
"   International Naval Contest

DIPLOMAS
Até ao momento foram emitidos dois Diplomas relativos à Fragata D. Fernando II e Glória. O primeiro com o indicativo CS8DFG e o segundo com o indicativo CS5DFG. O primeiro é atribuído às estações que contactaram com o a Fragata D. Fernando durante o período em que emitiu com o indicativo CS8DFG. O segundo tem a mesma finalidade mas relativamente a CS5DFG.
Descrição dos diplomas
Qualquer destes Diplomas pode ser obtido contra a confirmação de contacto efectuado e o envio de 10 USD ou 7,5€ mais custos de correio.
Os Diplomas podem ser vistos
aqui .

QSL
A fragata D. Fernando II e Glória, sendo uma estação na dependência do Núcleo de Radioamadores da Armada - NRA tem o seu serviço de QSL delegado no NRA.
Existem dois cartões de QSL referentes ao navio sendo um sobre CS8DFG e outro sobre CS5NRA. Ambos ostentam na parte frontal uma pintura do navio retratada num quadro de Roger Chapelet. No verso exibem um texto no qual se apresenta uma breve história da D. Fernando.
O Tráfego de QSL é assumido pelo NRA e escoado via directa.

FOTOGALERIA

Aqui encontra todas a fotografias referentes as actividades relacionadas com a Fragata ou passadas a bordo dela.

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